1. (Source: gifmovie, via pcsiqueira)

  2. ensaio leve-embriagado da apatia momentânea.

    um dia você sai direto do trabalho e vai jantar com umas amigas no novo restaurante hotspot da cidade. aproveita os 4 faróis vermelhos do caminho pra lançar mão da velha e boa sombra preta. companheira de antigas baladas incríveis, agora toma seu lugar pra disfarçar um rosto cansado que passou o dia inteiro se estressando com problemas dos outros.

    lá você escuta as histórias das amigas, rebuscadas, quase barrocas, de tantos detalhes e floreios; fica genuinamente feliz por ele ter mandado “beeeijos” em vez de “bjs” no sms pra ela e elogia o brinco novo da outra.

    e aí, de volta pra casa, você abre o laptop pra ouvir uma música e o facebook estava aberto. no chat, online, tem um lá. um que já foi, era pra ser, não é.

    e aí, depois de um tempo ouvindo the xx, você percebe que.. tanto faz. tanto faz que você foi com a mesma roupa do trabalho em um lugar onde estavam todos super produzidos, tanto faz que o olho esquerdo ficou um pouquinho mais escuro que o direito, tanto faz que - agora que você percebeu - você não tinha nenhuma história msculina-cor-de-rosa pra contar pras meninas, tanto-faz que você sempre pede coca só com gelo e sempre vem com limão, tanto faz que o cara tava online.

    e tanto faz que tanto faz.

    a gente passa a deixar de querer ser aceita pelos outros e começa a se aceitar. é um “foda-se” generalizado, mas se a gente chamar de “foda-se”, perde muito a credibilidade. e essa epifania vem em uma quarta-feira chuvosa, depois de algumas cervejas, 2 cigarros e um risoto de camarão, com um macbook esquentando as coxas.

    a urgência adolescente de estar sempre “indo” passa. a calma de simplesmente “ser” se instaura.

    a gente desce da montanha-russa e vai pro carrossel. e tanto faz.

  3. segunda-feira, 5 de setembro de 2011, 8:38pm

    ele chegou antes em casa e ficou esperando ela chegar. ligou a TV, trocou duas vezes de canal e desligou quando percebeu que não estava prestando a mínima atenção. depois ligou de novo, porque o silêncio tinha invadido a sala de uma forma que incomodava bastante. enquanto algum seriado enlatado americano passava na TV, ele só olhava e esvaziava a mente, sem ler as legendas e nem prestar atenção no som.

    e então ela chegou. ele ouviu a porta abrir, ouviu ela subir as escadas, devagar e sofridamente, como se cada degrau fosse uma imensa montanha e ouviu o som do fecho de metal da bolsa em contato com a mesa de vidro. ela usava sempre a mesma bolsa, marrom, com uma alça ajustável. e usava sempre transpassada no peito. ela usava assim porque desse jeito dividia mais o peso e acreditava que era mais confortável, mas sempre imaginava que um dia ia sair carregando uma linda bolsa em um dos ombros, com a mão segurando a alça e o queixo paralelo ao chão. o que ela não imaginava é que a tira de couro no meio dos seus peitos era uma cena que nunca ia abandonar a memória dele. eles não eram muito grandes, nem muito pequenos - na verdade não eram nem bonitos, eram quase esquisitos. mas o declive que a tira de couro acentuava ali, no meio dos dois montes que surgiam do colo dela realmente tinham um lugar especial na cabeça dele. e quanto mais pesada a bolsa, maior o declive.

    e aí ele quase chegou a agradecer os livros velhos que ela gostava. sempre estava com um naquela bolsa. e lembrou de como ela realmente adora livros velhos. de como ela sempre, disfarçadamente, dá uma profunda fungada nas páginas quando abre o livro e de como sorri levemente depois disso. ele também adora o tique que ela tem de passar a unha do dedão pelas páginas, fazendo um barulho irritante.

    ele adora quando eles chegam do trabalho e escapam da rotina de primeiro tomar banho, depois jantar, depois ver a novela e depois, enfim, fazer sexo, e arrancam as roupas um dos outros ali naquela sala mesmo. e adora que quando ele tira as calças dela, ela tem cheiro de dia nas coxas e não cheiro plástico de bonecas barbies que ele roubava às vezes da irmã. isso o lembra que ela sabe que ele vai gostar dela antes ou depois do banho. e lembra que ela trabalha o dia inteiro, sentada numa cadeira, “somando a fortuna dos outros no excel”, como ela mesma diz, que o lembra que ela pensa no futuro. e isso o lembra que ele tem certeza que vai estar nesse futuro.

    - oi!

    - tô muito cansada, vou direto pra cama.

  4. (Source: ddumbbitch)

  5. intervals:

An iceberg in Greenland (by Jonni J.)

    intervals:

    An iceberg in Greenland (by Jonni J.)

    (via oublies)

  6. intervals:

More Jellyfish (by garrettmurray)

    intervals:

    More Jellyfish (by garrettmurray)

    (via oublies)

  7. (via vicqueen)

  8. (via oublies)

  9. I don’t hate people, I just feel better when they aren’t around.
    — Charles Bukowski  (via oublies)

    (Source: quote-book, via oublies)

  10. [the ashtray]

    cinza a calçada, lambendo as ruas pelas bordas.

    cinza a minha velha camiseta preferida que um dia foi preta.

    cinza o branco dos teus olhos.

    cinza minhas olheiras companheiras do travesseiro abandonado.

    cinza o fundo do meu copo que nunca deixam aparecer.

    cinza minhas bochechas quando vejo você.

    cinza minha pele banhada de lua e lâmpadas de escritório.

    cinza a fumaça dos cigarros nublando nossas poucas conversas.

    cinza o “não-me-importo-tanto-faz” mentiroso que sempre sai da minha boca.

    .

    cinza as noites vividas pra esquecer os dias.

    .

    cinza os meus cabelos quando conseguir sorrir docemente

    lembrando dessa ausência de cores.

     

  11. ourlovelybones:

(via devilboys, elisag)
  12. “fábrica de saudades” - oyakawa, 2007

    mas que época mais triste fomos nascer. 

    através da tela vemos saudades do que não vivemos se formar no peito carregado de muitos cigarros.

    como eu queria ter nascido numa época que eu tivesse que sair de casa num domingo, porque não teria um computador para me entreter.. e encontrar uma amiga no centro de são paulo - porque seria o lugar onde as coisas aconteceriam - por acaso e comentar sobre “uma banda nova que fulano me mostrou. chama the smiths, conhece, baby? depois te empresto o lp”.

    e que ironia, você deve estar pensando. eu, projeto beta de redatora, que não pega numa caneta há sei lá quanto tempo, só usa papel sulfite pra imprimir umas helvéticas de vez em quando, online 24/7. é. sei lá. e é através do meu maczinho que vejo tudo o que eu não vivi e me trouxe até aqui: 3am, deitada na cama, digitando pra sei lá quem nessa finitamente imensa internet.

    um professor de lógica que eu briguei no 1º semestre da espm disse que estamos fabricando saudades. nesse exato momento. somos uma fábrica de saudades.

    alguém chama o inmetro porque aqui só tem produto defeituoso.

    (nota do autor: eu uso, e muito, papel e caneta. nada do que vocês lêem aqui deve ser levado a sério. muito menos a frase anterior).

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